26 novembro 2013

A escrita indomável de Políbio Alves

Políbio Alves aborda encontros e desencontros
em Os Objetos Indomáveis, seu quarto livro de poesia
Políbio Alves é um operário da palavra. Além de leitor voraz, que está sempre lendo – ou relendo – alguma obra de autores e assuntos diversos. Poeta e ficcionista, ele escreve e reescreve dezenas de vezes cada texto. Assim foi com Os Objetos Indomáveis (Mídia, 165 páginas), seu novo livro de poesia, que após sete anos sendo escrito, lançado recentemente na sede da Academia Paraibana de Letras.

Embora lembre um poema longo, a exemplo de seu livro mais conhecido Varadouro – lançado em 1989 com recursos próprios, após dez anos de batalha em busca de meios para publicar –, Os Objetos Indomáveis traz vários poemas que dão ênfase aos antagonismos como amor e desamor, bem e mal, encontros e desencontros etc. Ele define a obra como uma casa e seus aposentos.

O livro, dividido em duas partes, ‘Mosaico’ e ‘Quartzo’, traz uma apresentação escrita por João Adalberto Campato Júnior, pós-doutor em teoria literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e dois textos críticos assinados pela poetisa e jornalista Lourdes Sarmento e pelo poeta e crítico literário Brasigóis Felício. Mas o autor decidiu deixar as orelhas em branco.

Os Objetos Indomáveis chega oito anos após Passagem Branca (2005). E essa pausaprolongada, nas palavras do autor, deve-se à dificuldade em escrever. “Eu passei sete anos escrevendo esse livro. Todo dia eu lia alguns textos e, a cada leitura eu sentia que dava para melhorar. Então jogava fora e reescrevia. Não porque sou perfeccionista, mas por perceber que não estava bom”, explica o poeta.

Dificuldade ou perfeccionismo, certo mesmo é que esse constante ‘mexer’ nos textos faz com que seu exercício diário seja intenso. Ele reescreve tanto seus poemas, que passou de 500 páginas para chegar às 165 de Os Objetos Indomáveis. “Eu refaço cada texto diversas vezes. Não tenho pressa em publicar, só não quero publicar uma obra que não me agrade. Meus trabalhos têm muito mais transpiração do que inspiração”, revela.

Políbio Alves entrega-se de corpo e alma ao ofício de escrever. Para ele, o convívio diário com a literatura é um exercício prazeroso e necessário, por isso se deixa levar pelas palavras que vão brotando no papel. E papel aqui não é modo de dizer, já que ele continua escrevendo à mão e só depois,quando dá por finalizado o trabalho –e isso pode levar anos –, alguém digita e armazena no computador.

Em relação ao processo criativo, o escritor afirma que não planeja muito o livro. A ideia surge e ele se entrega à tarefa de transformá-la em poesia ou prosa, ainda sem saber o que será. “Eu começo a escrever um livro, mas não defino como nem quantos serão os poemas ou contos da obra. São os ‘demônios’ que tenho dentro de mim que me dizem o que fazer. Eu escrevo para tentar domá-los”, afirma.

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