16 agosto 2013

À luz da palavra

A paulista Mariana Ianelli é autora de sete livros de poesia
Mariana Ianelli convive com a palavra desde muito cedo. Autora de sete livros de poesia – lançou o primeiro aos 20 anos –, escrevia crônicas sem muito compromisso. Até que passou a escrevê-las para o site ‘Vida Breve’. É parte desses textos, publicados entre 2010 e 2011, que está em Breves Anotações Sobre um Tigre (Ardotempo, 112 páginas, R$ 30), com prefácio de Ignácio de Loyola Brandão, orelha de Luís Henrique Pellanda e ilustrações do artista plástico Alfredo Aquino.

De acordo com Mariana, a ideia de transformar em livro os textos publicados no site foi uma forma de recuperar as crônicas mais antigas. “O site mantém um cronista e um ilustrador diferentes para cada dia da semana, de segunda a sábado, o que dá uma vitalidade muito grande à página, por outro lado, o acesso a textos antigos fica mais difícil. Por isso resolvi reunir as crônicas, para que não se perdessem. Também levei para o livro a ideia das ilustrações, porque os desenhos casam muito bem com os textos”, conta a autora.

Como todo cronista, Mariana é uma observadora atenta do cotidiano da cidade onde mora e do país. Isso, no entanto, não significa que seus textos sejam obrigatoriamente sobre um fato de grande repercussão. A inspiração dela é mais livre e os assuntos surgem tanto do dia a dia como de algo pessoal, daquilo que por motivos diversos merece o olhar da autora, que retrata datas comemorativas, histórias de santos e mártires, cartas de amigos, livros, filmes e músicas.

“Os temas vêm um pouco do calor da circunstância e também de alguma motivação pessoal. Há uma crônica, por exemplo, que fala sobre a erupção do Etna, que na época era uma das notícias dos jornais, outro texto fala do aniversário de morte da poeta Sophia de Mello Andresen, e há crônicas sobre temas que sempre me inquietam ou me encantam, como a solidão da avó, a generosidade em tempos de individualismo, a interdição da suástica, o ateísmo”, revela.

Com sete livros de poesia publicados, Mariana Ianelli é uma autora premiada e se sentiu instigada com a redescoberta da crônica. No entanto, esse mergulho na prosa não a afastou da poesia. “A poesia exige um tempo de depuração, é um processo mais lento, um trabalho ao nível da minúcia. Quem entra num poema geralmente entra nessa dimensão de maior resguardo. A crônica pede mais agilidade, a sensação de uma conversa, é um gênero, digamos, menos noturno”, explica.

De fato, alguns textos presentes em Breves Anotações Sobre um Tigre mostram a proximidade – ou diálogo – com a poesia. A própria autora afirma que os terxtos escritos para o site estão recheados de poesia. “Sinto a poesia muito presente na crônica, no ritmo, nas imagens, nas associações inesperadas. Existem crônicas no livro que escondem poemas, como ‘Carta para o amigo’, ‘Ausentes da festa’, ‘Ninguém mais senão eu comigo no escuro’”, exemplifica.

Mas Mariana não para de produzir. Ao mesmo tempo que trabalhava no livro ela já tocava outra iniciativa. “Tenho o projeto de um ensaio em que estou trabalhando desde o início deste ano. Será um texto híbrido, entre a narrativa literária e a reportagem, com fotos. É um projeto que surgiu da leitura das cartas de Etty Hillesum e acabou me envolvendo tanto que em março viajei até a Holanda. Agora é hora de reunir o material e começar a trabalhar”, revela.

A autora – Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de Antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007), Treva Alvorada (2010) e O Amor e Depois (2012), todos pela Editora Iluminuras. Foi ganhadora do Prêmio Bunge de Literatura (categoria Juventude), Menção Honrosa no Prêmio Casa de las Américas, em Cuba, e finalista do Prêmio Prime Bravo! de Literatura.

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