12 junho 2013

Sérgio Couto e os mistérios do Vaticano


O Vaticano, símbolo do poder da Igreja Católica, abriga mistérios que instigam pesquisadores, alimentam a imaginação de artistas – que o digam a literatura e o cinema – e atiçam a curiosidade de muita gente. Mais de dois milhões de documentos estão guardados no maior acervo religioso do mundo, conforme relata o jornalista Sérgio Pereira Couto em Os Arquivos Secretos do Vaticano (Gutenberg, 200 páginas, R$ 29,90).

Esse acervo consta de livros proibidos, correspondências, diários de papas, documentos, processos da Inquisição, papéis confidenciais e milhares de outros registros que a Igreja Católica acumulou ao longo dos séculos em sua luta na defesa da fé cristã e estão trancados no local conhecido como Arquivos Secretos do Vaticano, que fica, evidemente, dentro do próprio Vaticano.
 
Porém nem todos os documentos estão guardados a sete chaves. Parte dessesregistros está aberta ao público, mas claroque só uma pequena parte, pois a maioria permanece trancada e ainda desconhecida. Foi isso que instigou Sérgio Pereira Couto, jornalista e escritor apaixonado pelos mistérios da história humana, a escrever Os Arquivos Secretos do Vaticano.

De acordo com Couto, o livro surgiu da ideia de desvendar os tais arquivos secretos. “Na verdade pensei em realizar uma pesquisa mais profunda para esclarecer o que eram os Arquivos Secretos, coisa que nenhum livro que li até hoje soube esclarecer. Comecei a falar com vaticanólogos e com pessoas que estiveram nos arquivos e comecei a coletar suas informações e a cruzar com o que já se sabia sobre o local”, conta o autor.

O jornalista discorre sobre a história deste “museu cristão”, incluindo os detalhes de sua criação e formação, a Bíblia original e suas alterações. A obra também aborda a Inquisição e suas heresias, além de evangelhos proibidos, mistérios, polêmicas e segredos, inclusive relacionados à renúncia do papa Bento XVI. No entanto, ele não tenta esclarecer a verdade, mas apontar um caminho para o leitor chegar às suas conclusões.

“O livro traz um apanhado do que seriam as principais causas, dos casos de pedofilia aos escândalos financeiros que envolvem o Instituto de Obras do Vaticano, passando pela existência de uma espécie de círculo que concentra o poder da informação no Vaticano (a Cúria Romana) e osconflitos com o atual secretário daquele pequenopaís, Tarcísio Bertone”, explica Couto.

Mas qual o conteúdo dos documentos confiscados? Segundo o autor, são todos importantíssimos. “Os livros confiscados são, em sua maioria, de alto valor histórico, como o Pergaminho de Chinon, que provou que Clemente V havia declarado os Templários inocentes das acusações de heresia, uma cópia da carta de Henrique VIII pedindo a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão”, revela o jornalista.

Ele diz ainda que entre os documentos consta uma carta de Abraham Lincoln explicando os ideais da guerra civil, que foi reconhecido pelo papa de então como presidente dos Estados Unidos quando Lincoln ainda não havia assumido o cargo, e que há, também, cópias apreendidas pela Inquisição de evangelhos gnósticos, apócrifos, cópias de estudos bíblicos que teriam originado o Código da Bíblia, entre outros documentos.

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