02 junho 2013

O lado risível do medo



André Ricardo Aguiar já era um poeta reconhecido quando, há 13 anos, enveredou pela literatura infantil com O Rato que Roeu o Rei (prosa), vencedor do Prêmio Novos Autores Paraibanos, promovido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Depois de Pequenas Reinações – publicado este ano –, ele volta com Chá de Sumiço e Outros Poemas Assombrados (Autêntica, 32 páginas, R$ 29,00), com ilustrações de Luyse Costa.

No livro, ele traz 25 poemas lúdicos e bem-humorados – ou brincadeiras poéticas –, que tem como personagens Frankenstein, vampiros, morcegos e almas penadas, mas retratados de uma forma mais amena, envolvidos com seus problemas do dia-a-dia, mostrando que, apesar de criaturas assustadoras, eles têm algo em comum com os seres humanos.

De acordo com André Ricardo Aguiar, que vem se dedicando há algum tempo a escrever para crianças, com os livros O Rato que Roeu o Rei, que também foi publicado pela Rocco em 2007, Pequenas Reinações (Girafinha, 64 páginas, 2013) – os dois em prosa – era de se esperar que a poesia, gênero no qual começou, chegasse também aos seus projetos voltados para o público infantil.

“Foi uma consequência natural que eu acabasse criando poemas para o público infantil, pois sempre achei que este gênero tem características mais palpáveis para estes leitores especiais: os ritmos, os jogos de linguagem e a musicalidade estão mais em relevo. Então achei que funcionasse. Trago, também, minha experiência de leitor aqui, pois sou muito fã dos poemas divertidos do José Paulo Paes”, explica.

A ideia do livro, segundo o autor, surgiu de uma sugestão de uma amiga, a escritora Rosa Amanda Strausz, que disse para ele tentar algo ligado ao medo. “Achei apropriado, pois estava querendo escrever algo diferente e me peguei pensando que muito da minha formação veio da experiência do interior e de como eu gostava de contar histórias inventadas para fazer medo”, conta.

A motivação também veio da possibilidade de poder fazer comque personagens feitos para assustarpudessem ser vistos de uma forma diferente. “Achei que seria uma boa sacada pegar os arquétipos do medo e botar em outro contexto, fazer com que crianças sempre olhem o lado risível, lúdico, positivo destas coisas. Eu sempre me coloco no lugar deles e penso que sempre gostaria de comprar um livrinho assim”, revela.

E como esses personagens aparecem em Chá de Sumiço? Em situações diferentes, mas todas trabalhadas com certo humor, sem a carga do medo. “O fantasminha mal saiu das fraldas e já levando bronca do fantasma pai: – Cresça e desapareça!”, conta o poeta em ‘De pai para filho’, um dos poemas do livro, em que evidencia o tratamento lúdico dado às criaturas conhecidas por serem assustadoras.

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