01 Novembro 2011

Documentário retrata a vida de Zezita Matos


Zezita Matos estreou no cinema
no filme Menino de Engenho
Há dois anos, quando ainda divulgava seu primeiro vídeo, Dois e Trinta (2009), a diretora Mercicleide Ramos encontrou a atriz Zezita Matos durante um festival de cinema e manifestou sua intenção de retratá-la no próximo trabalho. Zezita aceitou a proposta e daí surgiu o documentário O Olhar de Zezita, gravado em julho deste ano, uma justa homenagem aos 50 anos de carreira de uma das atrizes mais importantes da Paraíba.

Em Dois e Trinta, sua estreia como diretora, Mercicleide Ramos retratou a vida de Ninão, um jovem que sofreu com o preconceito e com a falta de estrutura em casa devido à sua estatura, mas que por um período tornou-se atração de programas de televisão. Desta vez ela buscou uma personagem diferente. O Olhar de Zezita retrata a vida pessoal e a carreira de Zezita Matos como artista e como educadora.

Segundo Mercicleide Ramos, ela escolhe os personagens pelas histórias de vida de cada um. "Eu gosto de retratar boas histórias e histórias de pessoas interessantes, que fazem dos desafios degraus para chegar ao sucesso. Zezita Matos é uma mulher de garra, que foi mãe muito cedo, enfrentou a Ditadura Militar, enfrentou o desafio de ser atriz numa época em que as mulheres sofriam muito por escolher essa carreira", explica.

De acordo com a diretora, não foi fácil retratar uma personagem como Zezita Matos, uma das atrizes mais importantes da Paraíba, que em 50 anos de carreira tem atuações marcantes no teatro, no cinema e uma única experiência em telenovela, nos anos 80, atuando ao lado de grandes nomes da teledramaturgia brasileira. "Foi difícil condensar uma vida inteira em poucos minutos. Zezita tem uma história muito rica", afirma.

As gravações foram realizadas no período de 9 a 16 de julho nas cidades de Pilar - onde Zezita Matos nasceu - Campina Grande e João Pessoa. Com roteiro da própria Mercicleide Ramos, Kátia Dumont e Orlando Júnior, o documentário traz depoimentos de Zezita, de amigos, familiares e cenas gravadas em lugares importantes na história da atriz, como o colégio Liceu Paraibano e o Teatro Santa Roza.

O documentário O Olhar de Zezita foi totalmente produzido com recursos privados. Mercicleide Ramos decidiu procurar apoio da iniciativa privada. "Eu disse a algumas pessoas que iria fazer um vídeo com recurso privado e muita gente estranhou isso por imaginar que os empresários não iriam patrocinar cultura. Mas alguns empresários que me apoiaram disseram que nunca foram procurados para patrocinar esta ou aquela produção", ressalta.

A cineasta diz que não é fácil conseguir patrocínio, por isso o importante é ter um bom projeto e estar preparado para 'vender' a ideia, mostrando ao empresário que ele não foi procurado à toa. "Eu comprei livros de marketing pessoal, de cultura como investimento rentável, estudei a história de alguns patrocinadores e fui à luta. É claro que ouvi muito 'não', mas não desisti. No final o vídeo teve quase 20 patrocinadores ou apoiadores", conta.

Mercicleide Ramos não para. Ela já pensa nos próximos trabalhos, ainda sem data para gravações. "Tenho planos para outro documentário. Posso adiantar que é sobre a vida de um paraibano que nasceu no interior e mora no Recife. Tenho também projeto para uma ficção. Já existe até um roteiro e o set para esse filme, mas antes eu quero aproveitar essa produção de documentários, que muito me encanta", revela.

A PERSONAGEM

Severina de Sousa Pontes, mais conhecida por Zezita Matos, nasceu no município de Pilar-PB. Mudou para João Pessoa aos 12 anos, onde estudou no Liceu Paraibano. Na década de 60, já envolvida com o teatro, participou do movimento comunista e das Ligas Camponesas. Formada em Letras e Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), participou da Campanha de Educação Popular (Ceplar), lecionou e foi diretora da Escola Dom Adauto, na Capital.

O primeiro papel de destaque nos palcos foi no espetáculo Prima Dona, montagem do Grupo de Teatro Popular de Arte. Estreou no cinema com Menino de Engenho (1970), de Walter Lima Jr. Depois vieram, A Canga (2001), de Marcus Vilar, Transubstancial (2003), de Torquato Joel, Alma (2004), de André Morais, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, O Céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz, Baixio das Bestas (2007), de Cláudio Assis, O Sonho de Inacim (2009), de Eliézer Rolim, e Olhos Azuis (2009), de José Joffily. Atualmente integra o Coletivo de Teatro Alfenim, com o qual participou do espetáculo Quebra-Quilos.

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