31 Maio 2009

Ninão e Pedro Pedra

Tempo bom para o audiovisual paraibano. Enquanto André Costa Pinto finaliza seu primeiro longa-metragem, Tudo que Deus criou, outras produções estão sendo realizadas. Uma delas é sobre o homem mais alto do Brasil – e o segundo mais alto do mundo – Joelison Fernandes da Silva, o Ninão, que, aos 23 anos mede 2,30 metros, documentário de Mercicleide Ramos. A outra é Pedro Pedra de Rizemberg Felipe, que está sendo rodado em João Pessoa.

Ninão se tornou conhecido na Paraíba e no Brasil depois que foi personagem de várias matérias na televisão. E foi assistindo a uma dessas reportagens que Mercicleide teve a idéia de fazer um documentário sobre Ninão. . Mas precisou esperar dois anos entre a idéia e a realização. A oportunidade veio como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social – habilitação em Rádio e TV – da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O documentário não vai mostrar apenas a festa em torno do “homem mais alto do Brasil”. Mercicleide retoma os depoimentos que ouviu quando visitou a cidade de Assunção, onde nasceu e vive seu personagem. São várias histórias contadas por parentes, vizinhos e amigos, que relataram as dificuldades enfrentadas pela família, obrigada a conviver com uma doença que sequer sabiam existir e morando numa cidade pequena e carente de recursos.

E como produção audiovisual custa caro, a diretora enfrenta dificuldades. Primeiro porque é preciso deslocar a equipe para o interior do estado e oferecer o mínimo de condições. A produção está sendo custeada pela própria diretora, que se responsabiliza pelas passagens e pela alimentação. Ela também tem que dividir o equipamento – que pertence ao Departamento de Comunicação (Decom/UFPB) – com alunos envolvidos em outras produções.

As gravações estão sendo realizadas em Assunção e João Pessoa. Além da diretora e produtora Mercicleide Ramos, o vídeo conta com Luís Augusto, que faz a direção de fotografia e câmera, Davi Abraão que divide com ela a produção, Niaranjan Do Ó, responsável pelo som e iluminação e Amara Alcântara, que realiza o still. A produção tem apoio cultural da Empresa de Serviços Culturais e do grupo Castelo Audiovisual. Apenas para divulgação, que fique bem claro.

Mercicleide Ramos dirigiu o vídeo documentário Também sei fazer cinema e produziu os documentários O saco de histórias e O verdadeiro artesão, e três vídeos de ficção, O ponto, Dois mundos e Hipertensão. Ela também integra o projeto de pesquisa sobre Mídias Móveis, coordenado pela professora Nadja Carvalho, e faz parte da equipe dos projetos Paraíba Cine Senhor e Essa é minha escola.

Ficção e realidade
O curta-metragem Pedro Pedra, com roteiro e direção de Rizemberg Felipe, surgiu de um fato real, que o diretor – fotógrafo do Jornal da Paraíba – viu nas ruas de João Pessoa quando fazia fotos para uma reportagem. Ao decidir fazer o vídeo, Rizemberg se propôs o desafio de encarar a falta de recursos. Apostando em atores amadores. O protagonista é interpretado pelo estreante José Saul. O mais experiente do elenco é Joálisson Cunha.

Rizemberg Felipe tinha realizado outros trabalhos antes de Pedro Pedra, todos nos Estados Unidos, como o vídeoclipe Story of us!, produzido durante o curso de direção feito na New York Film Academy e premiado no Jampa Vídeo Festival, realizado pelo Sesc. O diretor pretende inscrever o vídeo nos principais festivais nacionais da categoria. A equipe é formada por João Medeiros (fotografia), Wister Galvão (edição de imagens e pós-produção).