31 Maio 2008

Anne Frank além do diário

Desde o começo foi mostrado aos reclusos que a vida em Auschwitz era incomparavelmente mais difícil do que a morte”.
(Melissa Müller)

Publicado pela primeira vez em 1947, dois anos após o fim da 2ª Guerra Mundial, O diário de Anne Frank comoveu muita gente e, pode-se assim dizer, tornou-se um dos mais famosos e impressionantes documentos sobre o holocausto. A adolescente legou às gerações futuras seu testemunho sobre os tempos de intolerância na Europa dominada pelos nazistas.

No seu diário, a garota judia relata a convivência nem sempre amistosa de oito pessoas confinadas por mais de dois anos num sótão escuro e úmido de Amsterdã. O livro é o relato impressionante sobre o sentimento da adolescente – e que pode ser traduzido no sentimento coletivo do povo judeu –, que estendia sua dor aos demais perseguidos por Adolf Hitler e simpatizantes do nazismo.

A jornalista austríaca Melissa Müller leu O diário de Anne Frank aos 13 anos e se apaixonou pela história. E sentiu falta de informações sobre a vida dos Frank antes do Nazismo e do confinamento na capital holandesa e sobre os fiéis amigos que lhes ajudaram. Assim nasceu Anne Frank – uma biografia (Record, 400 páginas), que registra desde o nascimento da menina até seus últimos dias em Bergen-Belsen.

O livro começa pelo dia em que os Frank (Otto, Edith, Margot e Anne), os Van Pels (Herman, Auguste e Peter) e Fritz Pfeffer foram presos pelos nazistas após terem sido delatados. Depois volta aos anos 1920 mostrando os acontecimentos políticos, sociais e econômicos da Alemanha, passando pela ascensão de Hitler e a gestação do movimento anti-semita no país.

Melissa Müller pesquisou em vários países e teve acesso aos documentos da época, tanto de autoridades holandesas como os despachos de Hitler e seus principais ministros, que tratavam da solução final da questão judia. A autora também conseguiu, junto ao Anne Frank Fonds, as muitas cartas escritas por Anne, e encontrou Miep Gies, secretária de Otto Frank e uma das responsáveis pela sobrevivência das famílias clandestinas.

Esse mergulho no passado deu a autora uma visão privilegiada para, com seu senso crítico apurado, registrar os primeiros sinais da intolerância dos nacional-socialistas e também retratar sua biografada de uma forma bastante honesta, sem esconder histórias nem tão agradáveis que descobriu em suas pesquisas, como a relação muitas vezes conturbada entre Anne e Edith Frank.

Anne Frank – Uma Biografia tem um posfácio escrito por Miep Gies e muitas fotos. No epílogo, a autora mostra a vida de Otto Frank – único sobrevivente da família – após a Guerra. O livro traz ainda a árvore genealógica dos Frank (família de Otto) e dos Holander (família da Edith), com um quadro cronológico que vai de julho de 1869 a agosto de 1945 e uma relação de todas as fontes consultadas, organizada conforme os capítulos.

EM TEMPO: Anne Frank gostava de escrever e, no período em que estava na clandestinidade, produziu bastante. São fábulas, contos, ensaios e pelo menos uma novela, que ficou inacabada. Esses textos foram organizados por Otto Frank, seu pai, e publicados no livro Contos do esconderijo , em 1949. No Brasil, os dois livros de Anne Frank foram publicados editora Record.

1 comentários:

Álvaro Lima disse...

Li o diário no ano passado e tive vontade de saber mais sobre a adolescente que se tornou mártir do Holocausto.