01 Janeiro 2007

Pela simplicidade

O que pode fazer uma pessoa que gosta de coisas simples para viver bem em um mundo cada vez mais complexo e, conseqüentemente, mais difícil? A pergunta, na verdade, não precisa de respostas. É apenas um desabafo contra a quantidade de coisas nem sempre úteis que infestam nossas vidas, seja em casa ou no trabalho, e que, de fato, não melhoram nossa vida nem nosso desempenho profissional.
Nada tenho contra as novas tecnologias. Reconheço a utilidade dos computadores, com os quais tenho convivido muito bem. Não acredito que viveria melhor sem eles. Assim como sei que o DVD é melhor do que o videocassete. Mas não concordo que temos a necessidade de adquirir novos produtos só porque o modelo novo é um pouco mais avançado que o anterior, que ainda me serve. Embora os vendedores insistam que eu precise de tudo isso e muito mais.
Dias desses entrei em uma loja procurando um pendrive, dispositivo de informática para armazenamento de dados, e encontrei vários modelos. Uns com MP3, outros com MP4, outros com gravador de voz. Eu queria um modelo simples, que fosse apenas pendrive. Não tinha. Procurei em outras lojas e novamente me ofereceram o produto com várias utilidades.
A vendedora disse que talvez eu encontrasse em uma loja de informática. Nas duas primeiras, a exemplo dos estabelecimentos anteriores, me mostraram modelos avançados, que tinham recursos para facilitar o meu trabalho. Educadamente expliquei que não precisava de um MP3 ou qualquer coisa semelhante nas minhas atividades profissionais. Mas de um simples pendrive.
E os celulares? Ao entrar numa loja para comprar um telefone celular, cujo objetivo deve ser falar e ouvir, com no máximo uma boa agenda, fui apresentado a diversos aparelhos com rádio FM, câmeras fotográficas com tantos megapixels de resolução e cabo de dados incluso, MP3 ou MP4, acesso a internet e um programa para checar os e-mails.
Eu quero apenas um celular para falar, que pode ser um modelo não tão avançado. Aí a vendedora me disse que o novo modelo da marca tal vem com uma capa em couro, um fone de ouvido, 150 níveis de volume, discagem inteligente por comando de voz, um chip com sistema de bloqueio que permite apenas chamadas feitas pelo dono do aparelho.
E não adiantava explicar que não queria aparelho com câmera fotográfica digital porque não gosto de fotografar e muito menos de ser fotografado. Depois de insitência de um lado e resistência do outro, eles mostram, enfim, os modelos mais simples. Aqueles aparelhos que apenas ligam e recebem ligações, que tem uma agenda mínima, mas que servem para meus propósitos.
É claro que devemos entender os vendedores, que estão apenas fazendo sua parte ao oferecer os produtos mais modernos e mais caros. É claro que esses modelos servem para muitas pessoas. É claro que a evolução tecnológica é muito bem vinda e que a indústria deve continuar investindo na criação de novos produtos. E é claro que temos o direito de gostar de coisas simples.

3 comentários:

Magali disse...

Menino, concordo com você em tudinho! Eu também me canso dessa mania de estar sempre na vanguarda da tecnologia. Ora, acredito que a tecnologia foi inventada para me servir, e não o contrário. Ela é ótima, mas é apenas uma ferramenta útil. E pronto.
Um xêro!

Dias para Cerebrar disse...

Como é que uma pessoa que escreve assim não atualiza esse blog?!!!!!!!!!!! ai ai ai!!!!

Felipe Gesteira disse...

Finalmente encontro alguém como eu! Acredita que alguns colegas chegam a me zoar por eu gostar de fotografar com filme? Nosso mundo está aceleradamente perdido.