01 Novembro 2011

Documentário retrata a vida de Zezita Matos


Zezita Matos estreou no cinema
no filme Menino de Engenho
Há dois anos, quando ainda divulgava seu primeiro vídeo, Dois e Trinta (2009), a diretora Mercicleide Ramos encontrou a atriz Zezita Matos durante um festival de cinema e manifestou sua intenção de retratá-la no próximo trabalho. Zezita aceitou a proposta e daí surgiu o documentário O Olhar de Zezita, gravado em julho deste ano, uma justa homenagem aos 50 anos de carreira de uma das atrizes mais importantes da Paraíba.

Em Dois e Trinta, sua estreia como diretora, Mercicleide Ramos retratou a vida de Ninão, um jovem que sofreu com o preconceito e com a falta de estrutura em casa devido à sua estatura, mas que por um período tornou-se atração de programas de televisão. Desta vez ela buscou uma personagem diferente. O Olhar de Zezita retrata a vida pessoal e a carreira de Zezita Matos como artista e como educadora.

Segundo Mercicleide Ramos, ela escolhe os personagens pelas histórias de vida de cada um. "Eu gosto de retratar boas histórias e histórias de pessoas interessantes, que fazem dos desafios degraus para chegar ao sucesso. Zezita Matos é uma mulher de garra, que foi mãe muito cedo, enfrentou a Ditadura Militar, enfrentou o desafio de ser atriz numa época em que as mulheres sofriam muito por escolher essa carreira", explica.

De acordo com a diretora, não foi fácil retratar uma personagem como Zezita Matos, uma das atrizes mais importantes da Paraíba, que em 50 anos de carreira tem atuações marcantes no teatro, no cinema e uma única experiência em telenovela, nos anos 80, atuando ao lado de grandes nomes da teledramaturgia brasileira. "Foi difícil condensar uma vida inteira em poucos minutos. Zezita tem uma história muito rica", afirma.

As gravações foram realizadas no período de 9 a 16 de julho nas cidades de Pilar - onde Zezita Matos nasceu - Campina Grande e João Pessoa. Com roteiro da própria Mercicleide Ramos, Kátia Dumont e Orlando Júnior, o documentário traz depoimentos de Zezita, de amigos, familiares e cenas gravadas em lugares importantes na história da atriz, como o colégio Liceu Paraibano e o Teatro Santa Roza.

O documentário O Olhar de Zezita foi totalmente produzido com recursos privados. Mercicleide Ramos decidiu procurar apoio da iniciativa privada. "Eu disse a algumas pessoas que iria fazer um vídeo com recurso privado e muita gente estranhou isso por imaginar que os empresários não iriam patrocinar cultura. Mas alguns empresários que me apoiaram disseram que nunca foram procurados para patrocinar esta ou aquela produção", ressalta.

A cineasta diz que não é fácil conseguir patrocínio, por isso o importante é ter um bom projeto e estar preparado para 'vender' a ideia, mostrando ao empresário que ele não foi procurado à toa. "Eu comprei livros de marketing pessoal, de cultura como investimento rentável, estudei a história de alguns patrocinadores e fui à luta. É claro que ouvi muito 'não', mas não desisti. No final o vídeo teve quase 20 patrocinadores ou apoiadores", conta.

Mercicleide Ramos não para. Ela já pensa nos próximos trabalhos, ainda sem data para gravações. "Tenho planos para outro documentário. Posso adiantar que é sobre a vida de um paraibano que nasceu no interior e mora no Recife. Tenho também projeto para uma ficção. Já existe até um roteiro e o set para esse filme, mas antes eu quero aproveitar essa produção de documentários, que muito me encanta", revela.

A PERSONAGEM

Severina de Sousa Pontes, mais conhecida por Zezita Matos, nasceu no município de Pilar-PB. Mudou para João Pessoa aos 12 anos, onde estudou no Liceu Paraibano. Na década de 60, já envolvida com o teatro, participou do movimento comunista e das Ligas Camponesas. Formada em Letras e Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), participou da Campanha de Educação Popular (Ceplar), lecionou e foi diretora da Escola Dom Adauto, na Capital.

O primeiro papel de destaque nos palcos foi no espetáculo Prima Dona, montagem do Grupo de Teatro Popular de Arte. Estreou no cinema com Menino de Engenho (1970), de Walter Lima Jr. Depois vieram, A Canga (2001), de Marcus Vilar, Transubstancial (2003), de Torquato Joel, Alma (2004), de André Morais, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, O Céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz, Baixio das Bestas (2007), de Cláudio Assis, O Sonho de Inacim (2009), de Eliézer Rolim, e Olhos Azuis (2009), de José Joffily. Atualmente integra o Coletivo de Teatro Alfenim, com o qual participou do espetáculo Quebra-Quilos.

18 Agosto 2011

JOSÉ RUFINO: No subsolo da natureza das coisas

DEFINIDA nos dicionários como “faculdade de reter as ideias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente”, a memória, no sentido de preservação, tem importância fundamental para a humanidade. Antítese da morte, na mitologia grega ela aparece personificada pela deusa Mnemósine – filha de Urano e Gaia e mãe das nove musas –, divindade que protege dos perigos do esquecimento.

De certa forma, essa luta contra o esquecimento move o artista plástico José Rufino, para quem a memória é matéria viva e inesgotável. Para ele a memória individual não basta, por isso muitas vezes se apodera das memórias familiares – seja de pessoas, de locais ou de objetos –, das quais nasceram seis instalações e uma série de desenhos. Dessa mesma fonte ele bebeu para escrever o romance Desviver, sua estreia na literatura, que deve ser lançado ainda este ano.

Para Rufino há sempre uma porta aberta que o leva ao passado e lhe permite interferir na história individual das coisas. “É como se eu tivesse criado uma ferramenta para voltar a esses passados e, de alguma forma, remendá-los, subvertê-los, corrigir determinadas questões, se isso for possível, como se eu não me contentasse apenas com a memória e precisasse refazer os vários formatos de passado tanto do ponto de vista pessoal, como social e político”, explica.

Esses retornos ao passado são constantes na sua obra, seja usando as memórias – suas ou de terceiros – ou se apropriando de objetos familiares de forma a reescrever a trajetória de cada um deles. “É como se eu lutasse contra o historicismo ou a maneira convencional de fazer História. Disparo contra a História e termino caindo na História da Arte. Mas esse meu desespero de retomar o passado e reescrevê-lo é também carregado de contradições, de equívocos”, diz.

Em permanente conexão com o passado, Rufino trabalha atualmente em uma obra que envolve a busca e aquisição de pinturas antigas, da época da União Soviética. A ideia, segundo ele, é rever as formas de representação de ícones ideológicos. Algumas dessas pinturas já estão no ateliê do artista, que também prepara exposição para abertura da temporada de ocupação da galeria da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa.

Reencontro com a literatura

O romance Desviver é um reencontro de José Rufino com a literatura, área em que já teve uma breve experiência antes de se tornar artista plástico. No começo dos anos 1980, quando estudava no Recife (PE), ele conheceu poetas e artistas multimídias, como Jommard Muniz de Britto, e aumentou seu interesse pela poesia, que chegou a publicar no ambiente universitário. Depois passou à poesia visual, que já era uma estruturação das palavras ligadas às artes visuais.

A sua produção nas artes plásticas sempre esteve, de alguma forma, ligada à literatura. Da arte postal ele passou para desenhos em um conjunto de envelopes e cartas de família, que resultou numa série chamada Cartas de Areia. “A minha obra como artista plástico sempre tem o texto como substrato. Eu também utilizo fragmentos de textos escritos. Paralelamente, eu sempre escrevi textos que eram complementos à minha produção em arte”, explica.

No ano 2000, Rufino recebeu uma bolsa da Fundação Vitae para escrever textos de memória de lugares da infância e desenhar vinte desses lugares, num projeto que chamou de Topologias Aleatórias. “Esse foi o primeiro exercício; fazer uma relação entre memória e esquecimento. Desviver começou nesse momento, pois foi quando comecei a experimentar uma forma de escrever que misturava uma sensação de memória com ficção”, diz.

Essa incursão de Rufino pelas letras é como a retomada de um caminho ancestral, já que, pelo lado paterno, ele é sobrinho-neto de Horácio de Almeida, e primo de José Américo de Almeida e Átila de Almeida. Além disso, o avô paterno, José Rufino, de quem tomou emprestado o nome artístico, era um homem interessado em literatura e tinha uma grande biblioteca. Pelo lado materno ele é sobrinho-neto de Oscar de Castro e primo de Ângela Bezerra de Castro.

Mas Rufino não procurou um caminho fácil para sua estreia na literatura. Preferiu se arriscar em uma narrativa não linear na qual o personagem articulador ora é o próprio autor, ora é seu avô e em determinados momentos é seu bisavô. “É como se o tempo fosse uma espécie de jaula para essa figura que narra fatos o tempo inteiro e vai debulhando ali sua história como se estivesse expurgando toda a sua vida a partir da casa grande do engenho Vaca Brava”, conta.

Ao contrário do que acontece normalmente, Rufino preferiu escrever um romance no qual o leitor não o identifica como artista plástico. “Quando um artista plástico faz um filme ou escreve um livro ele tem a preocupação muito grande de deixar claro que antes de qualquer coisa ele é um artista e não um escritor ou cineasta. Eu não tenho mais essa preocupação, perdi esse pudor. Então se sou paleontólogo ou artista isso não importa mais”, afirma.

De acordo com Rufino, o livro Desviver já está pronto e já tem uma editora interessada em publicá-lo, mas antes ele precisa fazer uma imersão no texto para ‘limpá-lo’, pois tem uma linguagem muito intrincada. “O livro tem que ser lançado ainda este ano. Até porque se cria uma expectativa e eu já tive uma bolsa de produção. Eu fiz contato com uma editora pela qual o livro deve ser publicado, mas ainda é cedo e prefiro não tratar disso agora”, salienta.

Um artista em plena ascensão

José Rufino é um dos artistas plásticos mais requisitados para exposições no Brasil e no exterior, mas as atividades diárias como professor universitário ocupam grande parte do seu tempo. Por isso, o pouco que sobra é precioso e ele usa para produzir e organizar os trabalhos que são enviados às exposições mundo afora. E é preciso ter disciplina para que essas duas faces – a do professor-paleontólogo e a do artista plástico – não se confundam.

Mas o professor e o artista, embora sejam a mesma pessoa, são diferentes. “Enquanto artista eu tenho licenças poéticas para intervir no status quo, para intervir na natureza das coisas. Como paleontólogo eu só posso reproduzir e interpretar os fenômenos da natureza. O paleontólogo é muito mais limitado, sofre de determinadas frustrações, enquanto o artista complementa isso com direito ao devaneio”, diz.

Ser filho de Marlene Almeida, uma das artistas plásticas mais conhecidas do estado, não atrapalhou seu percurso, aconteceu exatamente o contrário. Segundo ele, o fato de ter uma artista plástica dentro de casa foi importante porque antecipou algumas etapas na carreira dele, pois do ponto de vista técnico, de conhecimento dos materiais, tudo isso ele já tinha através da mãe. E também um senso crítico já formado por ter tido contato anterior com a arte.

“Partindo da obra dela, eu já entrei no mundo da arte contemporânea, não passei por um momento anterior. Passei por isso em literatura, mas em arte o meu gosto já foi formatado para uma visualidade, digamos que já sou descendente das vanguardas do século XX, então não tive conflito para assimilar obras de artistas como Duchamp, por exemplo. Já parti desses pra frente. Já sou um artista posterior às vanguardas nacionais, inclusive não precisei dessa maturação”, assegura.

Os nomes das exposições em Latim – Aenigma, Faustus – vem do seu perfil de paleontólogo e do seu método de trabalho. “Eu sou uma pessoa um tanto programada em tudo que faço. Desde o começo eu vislumbrava uma sequência de ações e de obras que tivessem uma relação corporal. Era como se o corpo fosse o palco de tudo que ia se processar. Várias dessas obras são sensações do corpo, como respirar (Respiratio), chorar (Lacrymatio), que terminam se transformando em instalações”, explica.

“Muitas das instalações são corpos geométricos estendidos no chão, presos nas paredes. Cadeira, escrivaninha, birô, carimbo tudo isso se transforma em parte de corpo, como se eu tivesse exumando um certo corpo, como em Plasmatio, a instalação que fiz com papéis de desaparecidos políticos. Aquele não é meu corpo, mas a incorporação de um corpo coletivo, perdido inclusive. Essa é uma obra que nunca termino, que tá sempre em aberto”, complementa.

Rufino admite que sua arte não busca o conforto, prefere o incômodo. “Eu não precisava fazer esse trabalho sobre os desaparecidos, mas tenho a necessidade de ir ao ponto nevrálgico, naquilo que dói, que me provoca incômodos. Minha ideia não era fazer uma homenagem aos desaparecidos políticos e sim mostrar a memória do desaparecimento. O interesse dessa obra é a sensação de perda, esse tipo estranho de morte”, afirma.

Segundo Rufino, o processo de criação acontece em várias frentes ao mesmo tempo. “Para algumas obras o processo envolve uma pesquisa teórica ou de campo, esboços, testes de materiais e possibilidades técnicas e em outras tudo acontece mais instantaneamente, como se viessem prontas de um arquivo de possibilidades já construídas. O que costura tudo é a eterna ligação com o passado”, explica.

Conectado com o mundo

Para o artista, o fato de morar na Paraíba não impede que ninguém participe de exposições em outros estados brasileiros. Ele, por exemplo, tem exposto no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e também no Chile, Estados Unidos, Inglaterra, Áustria, Alemanha etc. “Hoje com os mecanismos que a gente tem de contato com o mundo tanto faz morar aqui ou em outro lugar, por mais longínquo que seja dos grandes centros de produção de arte”, afirma.

Mas há também um ponto negativo, como a logística das exposições, pois se fizer obras muito grandes pode inviabilizar a remessa para exposições fora da cidade. “Eu tenho pensado em fazer obras aqui e no lugar onde a exposição vai acontecer. Ou então manter conjuntos de obras, por exemplo, em São Paulo, onde a galeria que me representa mantém um galpão e as obras estão lá também”, explica.

Rufino também não concorda com o lamento de muita gente que produz cultura no estado, de que não tem chance porque o governo não investe. “Acho que o governo deve investir, mas em políticas culturais. O governo deve apontar, por exemplo, no sentido de que se deixar nas mãos das empresas privadas ou de quem produz cultura de forma particular, talvez determinadas linguagens nunca cheguem ao público”, observa.

Para ele, as iniciativas do Poder Público devem ser estendidas a todas as áreas. “Acredito que do ponto de vista das artes visuais isso também deve acontecer. O governo deve apontar direções, com eventos maiores para mostrar que peça tal é arte erudita, aquela outra é arte contemporânea, porque naturalmente isso não vai aparecer, porque a arte precisa de interlocutores, de mediação, que pode ser feita pelo governo”, acrescenta.

O artista diverge da maioria em relação ao financiamento público de obras de arte. “Não acho necessariamente que o governo deve patrocinar a obra dos artistas, pra isso aí existem outros mecanismos. O circuito de arte é muito bem estabelecido hoje, ele tem os produtores, as galerias, os museus, os curadores, então todo esse circo já funciona sozinho. Quando faço uma exposição já existe o transporte, o seguro etc”, sublinha.

Rufino diz que hoje existe muitas formas de fazer o trabalho aparecer, a exemplo dos editais do Ministério da Cultura, Banco do Nordeste, Caixa Cultural, Santander, que são acessíveis também aos jovens artistas, que estão começando a carreira. Por isso aquele velho discurso “sou um grande artista, mas não apareço fora daqui por falta de condições”, para ele, não tem sentido. É preciso apenas estar atento ao lançamento dos editais.

PERFIL
José Augusto Costa de Almeida nasceu em João Pessoa (PB), filho do professor Antônio Augusto Almeida e da artista plástica Marlene Almeida. Formado em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também fez o doutorado, é artista visual e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fez cursos livres de artes na Coex/UFPB em 1977 e mudou-se para o Recife em 1983. Começou sua trajetória artística fazendo arte postal. Vencedor do 6º Prêmio Bravo de Cultura, 2010, na categoria Melhor Exposição (Faustus, no Palácio da Aclamação, Salvador, BA), expôs no Recife, Fortaleza, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e participou de mostras na Argentina, Venezuela, Cuba, Estados Unidos, Alemanha, Áustria.

Texto publicado no Correio das Artes,  julho de 2011


21 Maio 2011

A volta de Jack Sparrow

Jack Sparrow e Angelica, nova
personagem feminina da trama
Depois de quatro anos, Jack Sparrow (Johnny Depp) está de volta às telas em Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, EUA, 2011), o novo filme da série, dirigido por Rob Marshall, chamado para o lugar de Gore Verbinski, diretor dos três longas-metragens anteriores. A quarta aventura do capitão do Pérola Negra estreou na sexta-feira (20), em todo o Brasil.

Em Piratas do Caribe 4, Jack Sparrow cruza com uma mulher do seu passado, Angélica (Penelope Cruz), a filha do lendário Barba Negra (Ian McShane). Sparrow está em busca da Fonte da Juventude, e não sabe se a relação deles é amor, ou se ela apenas é uma golpista que quer chegar à fonte. No navio de Barba Negra, o capitão do Pérola Negra não sabe se precisa ter mais cuidado no antigo amor ou no pai dela, seu grande Rival.

Mas desta vez Jack Sparrow não terá companhia de Will Tunner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley). Os dois atores não aceitaram participar da sequência por motivos diferentes, assim como o diretor Gore Verbinski, que dirigiu a animação Rango (2011). Com a ausência de Keira Knightley, escalaram Penélope Cruz para o papel feminino de destaque. A outra novidade é que este longa-metragem é o primeiro da saga filmado em 3D.

Baseado no livro On Stranger Tides (1988), de Tim Powers, com roteiro assinado pela dupla Ted Elliott e Terry Rossio, os mesmos dos filmes anteriores, Piratas do Caribe 4 tem no elenco, além de Johnny Depp e Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Stephen Graham, Sam Clafin, Max Irons, Kevin McNally, Astrid Berges-Frisbey e Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones, que também participou do terceiro filme.

Assim como nas aventuras anteriores, em que os piratas convivem com criaturas fantásticas - como os piratas Pérola Negra que se tornam esqueletos sob a luz da lua no primeiro filme, o Kraken e os tripulantes do Holandês Voador, no segundo -, as águas misteriosas navegadas no quarto filme tem algumas sereias, além dos zumbis que fazem parte da tripulação do Queen Anne's Revenge, o navio do Barba Negra.

O desafio de Rob Marshall - que dirigiu Chicago (2002) e Nine (2009) - é conquistar as plateias mundo afora e tentar pelo menos se aproximar da abertura do terceiro filme, Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo, que arrecadou US$ 114 milhões. Mas a julgar pela recepção fria do público do Festival de Cannes (França), onde longa-metragem foi exibido fora da competição, a tarefa não será fácil, embora plenamente possível.

Os três primeiros filmes da série - Piratas do Caribe 1: A Maldição do Pérola Negra (2003), Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte (2006) e Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo (2007), arrecadaram mais de US$ 2 bilhões em bilheteria, principalmente pelo segundo longa, que com US$ 1,06 bilhão, é dono da quarta maior bilheteria da história, perdendo apenas para Avatar (2009), Titanic (1997) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003).

Antes da estreia da quarta aventura, já correm notícias de que Terry Rossio teria concluído o roteiro da próxima aventura - sem data definida para filmagens - e que Johnny Depp estaria confirmado tanto no quinto e como no sexto filmes da série Piratas do Caribe. Depp teria dito em entrevista recente que o personagem Jack Sparrow ainda tem muito a oferecer, dando a entender que deve continuar no papel do pirata em mais alguns filmes.

Aliás, pode-se creditar parte do sucesso da franquia Piratas do Caribe ao carisma de Johnny Depp, que entre uma viagem e outra no papel de Sparrow, dedica-se a outros projetos. Depois do terceiro Piratas ele fez Alice no País das Maravilhas e Inimigos Públicos. A agenda sempre lotada do ator é que estaria "atrapalhando" o fechamento da data das filmagens das próximas aventuras do capitão Jack Sparrow.






07 Abril 2011

O Rio de Carlos Saldanha

Filme mostra belas paisagens
Depois de passear com sucesso pela Era Glacial com a trilogia A Era dour Gelo, o cineasta Carlos Saldanha mudou para uma paisagem ensolarada. Rio, seu novo filme, em cartaz nos cinemas do país. Em João Pessoa, a animação estreou em oito salas, três delas em 3D. A animação explora as boas coisas da cidade maravilhosa. Fala da música brasileira, do Carnaval, da simpatia do povo, das praias. Nada melhor para uma cidade que, em cinco anos, vai sediar uma final de Copa do Mundo (2014) e uma Olimpíada (2016).

A expectativa sobre Rio, uma das estreias mais esperadas do ano, é imensa. O diretor Carlos Saldanha trouxe técnicos do estúdio para visitar o Rio de Janeiro. Ele admite que reconstruir a cidade foi um dos maiores desafios da produção. O filme deve ser recordista de bilheteria neste fim de semana. Atores que dublam os personagens e jornalistas vieram ao Rio para o lançamento oficial da animação, que estreia em mais de mil salas em todo o Brasil – 676 salas no formato 35mm e em 332 em digital 3D, o maior lançamento da história no Brasil.

O filme conta a história de Blu, uma arara domesticada que nunca aprendeu a voar e tem uma vida tranquila e confortável ao lado de sua dona, Linda, na cidade de Moose Lake, nos Estados Unidos. Os dois pensavam que Blu era o último de sua espécie, mas descobrem que há outra arara azul vivendo no Rio de Janeiro e partem para lá na expectativa de encontrar Jewel, uma ararra azul fêmea. Mas Blu e Jewel são sequestrados por contrabandistas de animais. Eles conseguem fugir com a ajuda de um grupo de pássaros da cidade.

Mistura de aventura e comédia, Rio é um projeto antigo de Carlos Saldanha. Ele declarou em entrevistas que esse longa-metragem é uma forma de mostrar as belezas da capital fluminense ao mundo, contrastando com. O filme tem um viés ecológico. Saldanha reúne uma fauna diversificada. Além das araras azuis, tem um tucano (Rafael), um cachorro (Luiz), uma Cacatua (Nigel) e outros dois pássaros (Pedro e Nico). Na homenagem à cidade onde nasceu, o diretor não deixa de mostrar a ação dos traficantes de animais.

Na versão americana, as vozes do personagens são de atores conhecidos como Anne Hathaway, Jesse Eisenberg, Rodrigo Santoro – que integra também o elenco de dublagem na versão em português –, Jamie Foxx, George Lopez, Tracy Morgan, Jemaine Clement, Hal Holbrook e Will.i.am, do grupo Black Eyed Peas. O filme também tem a participação de brasileiros na trilha sonora. A produção musical é de Sérgio Mendes. Bebel Gilberto e Carlinhos Brown interpretam algumas canções que embalam as aventuras de Blu no Rio de Janeiro.

14 Março 2011

Elpídio Dantas em Nova York

No início do ano, o artista plástico Elpídio Dantas foi aos Estados Unidos visitar o filho Lupicínio, que não via há 11 anos. A passagem foi um presente de Miguel dos Santos e da Galeria Gamela. Em Nova York, pai e filho visitaram algumas exposições e foram convidados para expor na galeria da Organização das Nações Unidas (ONU) e na BEA Art Gallery, em junho.

Os dois estavam em um vernissage quando foi apresentado a Rosely Saad, curadora geral da galeria da ONU. "Nós estávamos na BEA Art Gallery, e eu estava com meu catálogo. Dei um a Rosely e ela gostou. Fomos ao gabinete dela e lá fomos surpreendidos com o convite para expor na galeria da ONU", contou Elpídio.

As duas exposições devem ser realizadas em junho. A primeira será na BEA Art Gallery, em Manhattan, no começo do mês, mas ainda falta definir os detalhes, pois esse convite foi feito depois, quando ele já tinha retornado ao Brasil, por isso não teve tempo de pensar como vai se chamar a mostra, nem que tipo de obra ele vai levar.

Já para a galeria da ONU a dupla tem algumas coisas definidas. A mostra vai se chamar 'Um Olhar Sulamérico', título de um poema de Lupicínio, que vai integrar a exposição e o catálogo que será produzido. "Eu já estou trabalhando em umas telas para essa exposição. Devo levar cerca de 30 trabalhos e gostaria também de levar algumas esculturas", disse.
 
Sobre o artista – Elpídio Dantas nascru em São Bento (PB) e.começou a desenhar ainda na infância. Em 1974 mudou para João Pessoa e três anos depois realizou a primeira exposição individual na Capital. A partir daí não parou mais. Participou de coletivas no Recife, Rio de Janeiro, Estados Unidos, Portugal e França, além de individuais em Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte.

BEA (Nova York) – A Brazilian Endowment of Arts (BEA) foi fundada em 2006 pelo paraibano Domício Coutinho, que mora em Nova Yorh há quase 50 anos com o objetivo promover e cultivar o uso da língua, cultura, artes e letras brasileiras nos Estados Unidos. O centro recebeu vistas de escritores como Nélida Piñon, Ana Maria Machado e do cineasta Nelson Pereira dos Santos.

31 Maio 2009

Ninão e Pedro Pedra

Tempo bom para o audiovisual paraibano. Enquanto André Costa Pinto finaliza seu primeiro longa-metragem, Tudo que Deus criou, outras produções estão sendo realizadas. Uma delas é sobre o homem mais alto do Brasil – e o segundo mais alto do mundo – Joelison Fernandes da Silva, o Ninão, que, aos 23 anos mede 2,30 metros, documentário de Mercicleide Ramos. A outra é Pedro Pedra de Rizemberg Felipe, que está sendo rodado em João Pessoa.

Ninão se tornou conhecido na Paraíba e no Brasil depois que foi personagem de várias matérias na televisão. E foi assistindo a uma dessas reportagens que Mercicleide teve a idéia de fazer um documentário sobre Ninão. . Mas precisou esperar dois anos entre a idéia e a realização. A oportunidade veio como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social – habilitação em Rádio e TV – da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O documentário não vai mostrar apenas a festa em torno do “homem mais alto do Brasil”. Mercicleide retoma os depoimentos que ouviu quando visitou a cidade de Assunção, onde nasceu e vive seu personagem. São várias histórias contadas por parentes, vizinhos e amigos, que relataram as dificuldades enfrentadas pela família, obrigada a conviver com uma doença que sequer sabiam existir e morando numa cidade pequena e carente de recursos.

E como produção audiovisual custa caro, a diretora enfrenta dificuldades. Primeiro porque é preciso deslocar a equipe para o interior do estado e oferecer o mínimo de condições. A produção está sendo custeada pela própria diretora, que se responsabiliza pelas passagens e pela alimentação. Ela também tem que dividir o equipamento – que pertence ao Departamento de Comunicação (Decom/UFPB) – com alunos envolvidos em outras produções.

As gravações estão sendo realizadas em Assunção e João Pessoa. Além da diretora e produtora Mercicleide Ramos, o vídeo conta com Luís Augusto, que faz a direção de fotografia e câmera, Davi Abraão que divide com ela a produção, Niaranjan Do Ó, responsável pelo som e iluminação e Amara Alcântara, que realiza o still. A produção tem apoio cultural da Empresa de Serviços Culturais e do grupo Castelo Audiovisual. Apenas para divulgação, que fique bem claro.

Mercicleide Ramos dirigiu o vídeo documentário Também sei fazer cinema e produziu os documentários O saco de histórias e O verdadeiro artesão, e três vídeos de ficção, O ponto, Dois mundos e Hipertensão. Ela também integra o projeto de pesquisa sobre Mídias Móveis, coordenado pela professora Nadja Carvalho, e faz parte da equipe dos projetos Paraíba Cine Senhor e Essa é minha escola.

Ficção e realidade
O curta-metragem Pedro Pedra, com roteiro e direção de Rizemberg Felipe, surgiu de um fato real, que o diretor – fotógrafo do Jornal da Paraíba – viu nas ruas de João Pessoa quando fazia fotos para uma reportagem. Ao decidir fazer o vídeo, Rizemberg se propôs o desafio de encarar a falta de recursos. Apostando em atores amadores. O protagonista é interpretado pelo estreante José Saul. O mais experiente do elenco é Joálisson Cunha.

Rizemberg Felipe tinha realizado outros trabalhos antes de Pedro Pedra, todos nos Estados Unidos, como o vídeoclipe Story of us!, produzido durante o curso de direção feito na New York Film Academy e premiado no Jampa Vídeo Festival, realizado pelo Sesc. O diretor pretende inscrever o vídeo nos principais festivais nacionais da categoria. A equipe é formada por João Medeiros (fotografia), Wister Galvão (edição de imagens e pós-produção).

29 Agosto 2008

Um olhar sobre a fé nordestina

A religiosidade é um sentimento muito forte no Nordeste, região onde vários religiosos fizeram História. O mais conhecido deles é o Padre Cícero, a quem o povo sertanejo, com sua fé inabalável, recorre para renovar as esperanças de uma seca menos rigorosa, para curar os males e apontar um futuro menos sofrido. Por isso, anualmente a cidade de Juazeiro do Norte (CE), onde fica o santuário do “Padim”, recebe milhares de romeiros que vão pagar promessas.

Alguns desses instantes de fé em que o sertanejo, mesmo acompanhado de uma multidão, consegue ficar a sós com seu protetor e pedir as bênçãos para enfrentar as adversidades que certamente virão, foram capturados pelas lentes – e pela sensibilidade – do fotógrafo Ivan Correia, que retratou a romaria de Juazeiro em mais de duas mil fotos, das quais selecionou algumas para a exposição Romeiros de corpo e alma, que logo se tornaria um livro homônimo.

Para publicar o livro, conseqüência natural de sua incursão pela romaria de Juazeiro, o fotógrafo arregaçou as mangas mais uma vez e buscou patrocínio da iniciativa privada. A publicação traz todas as fotos da exposição e outras seis delas inéditas, além de textos do Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, do jornalista Renato Félix, do historiador Anselmo Santana, dentre outros que ficam nas entrelinhas.

O trabalho de Ivan Correia retrata não apenas os romeiros, aquela gente com expressão sofrida e uma fé inabalável, mostra também um sentimento ainda presente na vida dos nordestinos, que repetem, ano a ano, o mesmo caminho em direção ao santuário do Padre Cícero e lá encontram – muitas vezes sem perceber – pessoas com quem esbarraram em datas passadas e, com certeza, ainda se encontrarão em outras romarias pelo tempo afora.

Na verdade, Romeiros de corpo e alma é parte de um projeto pessoal do fotógrafo, que pretende retratar diversos aspectos da cultura nordestina. Melhor seria dizer que ele gosta de fotografar o povo do Nordeste. A religiosidade foi escolhida para abrir a série, mas Ivan pretende mostrar também os nordestinos na agricultura, na arquitetura para dar continuidade à proposta. O próximo trabalho vai mostrar o nordestino na música.

Para isso ele escolheu o cantor e compositor paraibano Chico César, que traz em sua música muito da raiz nordestina, sobretudo da infância em Catolé do Rocha (PB), cidade que receberá uma exposição. O título provisório é Uma encanta pelo som, outra pela luz - fotografias de Ivan Correia inspiradas nas canções de Chico César. Mas essa segunda parte do projeto ainda não tem data marcada. Ivan continua divulgando o primeiro livro.

Ivan Correia nasceu em João Pessoa e, quando teve o primeiro contato com a câmera fotográfica, em 1995 não percebeu que nascia ali uma paixão. Fez alguns trabalhos amadores antes de atuar profissionalmente. Dois anos mais tarde começaria a desenvolver seus próprios projetos. Assim surgiu a exposição, Campanário, sobre as igrejas da capital paraibana. Ivan é professor de Inglês e estudante de Letras na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).